Por que eles conseguem mudar a vida gente?

Quem me conhece sabe o quanto eu amo cachorros. Se pudesse, passaria todo o tempo do mundo me dedicando a cuidar deles por um motivo muito simples: não há nessa vida um amor tão gratuito. Eu acredito que uma pessoa que maltrata um animal é incapaz de nutrir qualquer sentimento decente de humanidade. Mas nem vou perder muito tempo falando desse tipo de “gente”. Meu post de hoje é para contar a história da Picanha e também pra mostrar o quanto os bichinhos mudaram a minha vida pra melhor – e pra você pensar se não pode mudar a sua também. 🙂

A Picanha foi encontrada nesta última segunda-feira amarrada em um poste, no estacionamento do meu condomínio. Ela ficou ali uma noite inteira, debaixo de chuva, sem entender o motivo do dono dela tê-la deixado ali. No dia seguinte, os seguranças a acharam, deram comida e avisaram os moradores que ela estava perdida. Imediatamente, liguei para a zeladora e pedi que a trouxessem para o meu apartamento até que a gente encontrasse os responsáveis. Resumindo: encontramos e nos certificamos de que eles não a queriam mais. A descartaram como uma sacola de lixo. Simples assim. Diante disso, tomei a decisão de ficar com ela. Gente, a bichinha é tão amada, boazinha, não incomoda nada, é cheia de alegria, que me dá um nó no peito em pensar que ela ficou horas e horas debaixo de uma chuva torrencial.

O veterinário encontrou um tumorzinho na mama, que vamos operar ainda nesse mês. Disse que apesar disso ela tá super bem. Agora, a vida dessa moça vai ser só amor.

Além da Picanha, eu tenho mais seis cachorros, todos com a minha mãe no interior. A maioria, resgatados após sofrerem anos e mais anos de maus-tratos dos seus antigos donos. Cada um tem o seu jeitinho, mas são todos especiais.

Kika
Essa é a minha sombra desde 2000. Foi a primeira a chegar em casa. Sim, ela tem 14 anos, mas parece uma guriazinha. Uma salsicha geniosa, mas amada demais. Quando voltei de São Paulo, tentei trazê-la pra morar comigo aqui em Porto Alegre, mas ela não conseguiu se acostumar com o novo apartamento. Por isso, achei melhor que ela continuasse no interior, onde vou quase todo o fim de semana.

 

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Leka
A segunda a chegar. A Lekinha era a sombra do meu pai. Ia onde ele fosse. Secava os pés dele depois do banho, velava o sono enquanto ele dormia, passava os dias cuidando, principalmente no último ano de vida dele. Depois que meu pai faleceu, não foi mais a mesma, por mais que a gente tentasse levantar o astral. Se apegou ao Dani (meu namorado), que se tornou o novo papis dela. Também tentamos trazê-la pra morar com a gente, mas ficamos com muito dó de deixar a bichinha sozinha quase que o dia inteiro. Era muito injusto com ela. (Mas agora que pegamos a Picanha, é uma boa hora de tentarmos de novo, né?).

 


Pingo
Esse é uma das maiores paixões da minha vida. Ele foi abandonado pelos primeiros donos. Foi judiado, chutado, atropelado, levou uma pancada na cabeça e posto em uma rinha de pitbulls. Sobreviveu a tudo isso nem sei como. A primeira vez que vi o Pingo na rua deve fazer uns 14, 15 anos, quando ele começou a seguir a minha mãe até o portão do prédio. Ele ganhou comida. Nós, um amigo. Aí, chegou o dia que ele pediu pra entrar em casa. No outro, pediu pra dormir. E assim ele foi ficando nas nossas vidas. Hoje é o rei soberano. Manda e desmanda na gente, bem cara de pau. Descobrimos um tumor inoperável nele no fim de 2013, mas tá firme e forte, fazendo dieta especial e recebendo todo o carinho do mundo.

 

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Capitu
A “Tutu” foi encontrada amarrada com um arame farpado no pescoço, sem um pelo sequer, cheia de marca de tiro de chumbinho no corpo. Ficou nessas condições nem sei quanto tempo, comendo formigas para sobreviver, até ser resgatada pela ONG de Camaquã. Lá ela foi medicada, bem tratada, até que minha mãe se apaixonou por ela e troue pra casa. Uma fofa.

Mika
Essa orelhuda foi jogada pela janela de um carro em plena BR-116. Tipo: “não te quero mais, vou te jogar pela janela mesmo”. A sorte dessa baixinha é que no carro de trás estava a Tânia, um anjo de pessoa que coordena a ONG APACA lá de Camaquã. Ela nem pensou duas vezes antes de parar o carro no estacionamento e correr atrás dela. Essa é espoleta, a segurança da casa.

 

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Meg
Outra fofa que foi abandonada pelos donos no interior da cidade. Minha mãe ficou sabendo e pensou: “coração de mãe cabe mais um” e saiu atrás dessa mocinha, quando soube do abandono. Sabe fofurinha? Pois então, ela extrapola todos os limites da fofurice. Meiga, careeeeente que só, essa é a mais nova integrante da casa (da minha mãe, no caso).

Meninas e menino devidamente apresentados, me resta apenas dizer o quanto sou grata a eles. O quanto eu devo a eles uma boa parte da minha felicidade diária. Sabe por que? Porque cuidar de um animal dá trabalho, mas é tão recompensador. Uma dica minha: adotar requer responsabilidade e sobretudo CORAÇÃO. Se você não tiver amor, nem se dê o trabalho, mas se tiver, aproveite. Cada segundo sem um bichinho na sua vida é um segundo perdido.

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